Fábio Thadeu Ferreira analisa tecnologia e eficiência na Urologia

Urologista avalia cirurgia robótica, inteligência artificial, custos e gestão na busca por maior eficiência e acesso ao cuidado

A incorporação de tecnologia na medicina envolve uma conta que vai além da capacidade clínica de um equipamento. Custo, treinamento profissional, escala e acesso também entram na decisão. Para o urologista Fábio Thadeu Ferreira, que atua nos setores público e privado em Campinas, a eficiência depende de integrar esses fatores sem retirar do paciente a participação nas escolhas sobre sua saúde.

A cirurgia robótica é um dos exemplos. O equipamento não executa o procedimento de forma autônoma. O cirurgião controla os braços por meio de um console e utiliza recursos como visão tridimensional ampliada e instrumentos articulados.

Na Urologia, esses recursos podem auxiliar procedimentos em regiões anatômicas de acesso mais restrito.

Custo ainda limita a expansão tecnológica

Fábio identifica no preço dos equipamentos, insumos e manutenção uma das barreiras à disseminação da cirurgia robótica.

As plataformas são importadas e a disponibilidade ainda se concentra em determinados hospitais. Em sua avaliação, maior concorrência entre fornecedores tende a ser relevante para a expansão futura do acesso.

“O custo ainda é um limitador importante. À medida que surgem novas plataformas e aumenta a concorrência, existe uma possibilidade de tornar essa tecnologia mais acessível. Para ampliar o uso de forma responsável, a equação econômica também precisa funcionar”, avalia.

No serviço público, o desafio se soma a uma demanda elevada. Na Rede Mário Gatti, onde coordena a Urologia, Fábio participa do esforço de incorporar recursos para procedimentos minimamente invasivos.

Ele cita o acesso a técnicas com laser como exemplo de uma tecnologia que passa a fazer parte do atendimento público local depois de um processo de aquisição de equipamentos e organização do serviço.

Eficiência não significa apenas velocidade

Para o médico, produtividade assistencial não deve ser medida exclusivamente pela quantidade de consultas ou cirurgias.

Casos complexos podem exigir integração entre especialidades, novos retornos e preparação mais detalhada antes de uma intervenção.

“Há pacientes cuja necessidade pode ser resolvida rapidamente e outros que precisam de uma conversa longa, da presença da família ou de acompanhamento adicional. Eficiência não significa fazer tudo mais depressa, mas usar tempo e estrutura de acordo com a complexidade”, explica.

A lógica também aparece na escolha terapêutica. Um tratamento tecnicamente possível pode não corresponder às prioridades de determinada pessoa.

Qualidade de vida, autonomia, possíveis efeitos adversos e contexto individual entram nessa análise.

Inteligência artificial muda o fluxo do consultório

Outra ferramenta já incorporada à rotina de Fábio é a inteligência artificial. Sistemas de transcrição registram o atendimento enquanto ele conversa com o paciente e ajudam a organizar as informações posteriormente.

Nesse caso, o ganho de produtividade ocorre em uma tarefa administrativa.

“Quando não preciso dividir a atenção entre o paciente e a digitação, recupero um tempo que antes era consumido por uma atividade operacional. A inteligência artificial ajuda nesse fluxo, mas todo o conteúdo ainda precisa ser conferido pelo profissional”, afirma.

Ele mantém cautela sobre a confiabilidade das respostas geradas por esses sistemas. A existência de informações incorretas ou sem qualidade na internet exige revisão crítica do material produzido.

Formação acompanha novas ferramentas

A atualização de profissionais é outro componente da incorporação tecnológica. Professor de Urologia na São Leopoldo Mandic, Fábio observa que seus alunos têm acesso imediato a uma quantidade de informação muito maior do que em gerações anteriores.

O desafio está em desenvolver critérios para avaliar fontes e converter conhecimento em decisão clínica responsável.

Sua trajetória inclui Medicina na Unicamp, formação em Cirurgia Geral e Urologia. A carreira também se desenvolve entre assistência, ensino, cirurgia e gestão no serviço público.

Nos próximos anos, pretende continuar ampliando possibilidades no SUS, acompanhar procedimentos menos invasivos e utilizar ferramentas que reduzam tarefas administrativas sem substituir o julgamento profissional.

“Tecnologia precisa resolver problemas reais. Se melhora a precisão, organiza o trabalho ou libera o profissional para dedicar mais atenção ao paciente, existe valor. Mas nenhuma ferramenta elimina a responsabilidade de decidir bem”, conclui.

Fábio Thadeu Ferreira – CRM-SP 115801 – RQE 39172 Cirurgia Geral – RQE 39173 Urologia

Instagram: @dr.fabio.ferreira

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