Aos 24 anos, com experiência em multinacionais, operações digitais milionárias e uma trajetória por 24 países, Pedro Silvestrini aplica seu repertório internacional à construção de negócios de tecnologia
Antes de liderar equipes em multinacionais e construir negócios digitais, Pedro Silvestrini lavava túmulos por R$ 5 no Dia de Finados.
Aos 13 anos, morava próximo a um cemitério em Cajamar, no interior paulista. Aproveitava o movimento para lavar túmulos e cuidar dos carros dos visitantes. Era uma maneira de conseguir, com o próprio trabalho, o dinheiro para comprar o que desejava.
Anos depois, sua trajetória incluiria equipes lideradas na Amazon e no Mercado Livre, lançamentos de infoprodutos e aplicativos com milhões de downloads. Os negócios com infoprodutos e aplicativos somaram R$ 14 milhões em faturamento acumulado.
Entre os primeiros trabalhos e os resultados no mercado digital, houve uma carreira corporativa promissora, uma demissão voluntária, dificuldades financeiras e decisões que mudaram sua maneira de construir negócios.
O primeiro objetivo tinha destino certo
Pedro nasceu em Jundiaí, São Paulo, e cresceu em Cajamar, em uma família humilde. Desde cedo, encontrou no trabalho uma forma de alcançar coisas que o orçamento de casa não permitia.
Uma dessas experiências começou ainda na quarta série, quando a escola organizou uma viagem para um parque. Ele queria participar, mas sua avó não tinha dinheiro para pagar. A alternativa veio dela: vender geladinhos na rua.
Pedro precisou enfrentar a vergonha de oferecer os produtos e lidar com os comentários de outras pessoas. Tinha, porém, um objetivo concreto. Vendeu, juntou o dinheiro e conseguiu ir ao passeio.
O trabalho passou a representar uma possibilidade de mudar sua realidade, mesmo que uma conquista de cada vez.
A adolescência de Pedro foi uma sequência de empregos que a maioria das pessoas recusa
Antes de completar 18 anos, Pedro já havia trabalhado em oficinas mecânicas, supermercado, bares, gráficas e parques de diversão. Além de atuar como funcionário, também havia criado seus primeiros negócios. Cada emprego era diferente, mas todos tinham algo em comum.
Trabalhou por dois anos como mecânico e por um ano e meio como jovem aprendiz em um supermercado. Foi funcionário de três lava-rápidos e chegou a ter um próprio. A lista continuava: foi barman em um bar, trabalhou em um parque de diversões de shopping e também em uma gráfica. Como designer, criava e vendia logotipos e cartões de visita.
Ainda adolescente, teve uma agência de viagens que organizava excursões e um trailer de lanches. Essas experiências se somavam ao trabalho no cemitério, onde lavava túmulos e cuidava de carros.
Cada atividade exigia algo diferente: aprender um serviço, atender pessoas, oferecer um produto ou encontrar compradores. Antes de conhecer o mercado digital, Pedro já tinha experimentado tanto o trabalho como funcionário quanto a responsabilidade de conduzir pequenos negócios.
Em quatro meses, o garoto que lavava túmulos chegou à liderança na Amazon
Dez dias depois de completar 18 anos, Pedro entrou na Amazon por meio de um processo seletivo. Em aproximadamente quatro meses, tornou-se o líder mais jovem daquela operação. Na área de treinamento, coordenava uma equipe de 21 pessoas e conduzia a formação teórica de novos funcionários.
Explicava processos, o funcionamento dos setores da logística e aspectos da cultura da empresa. Sua equipe era responsável por acompanhar a capacitação prática. Ao longo dessa atuação, o trabalho alcançou aproximadamente 5 mil profissionais que ingressavam na companhia.
O adolescente que havia vendido geladinhos e lavado túmulos agora precisava orientar pessoas de diferentes idades, explicar processos com clareza e coordenar uma equipe dentro de uma multinacional.
A remuneração representava uma conquista importante diante da realidade em que havia crescido. A carreira também avançava: Pedro foi promovido mais de uma vez e, depois da área de treinamento, passou para Desenvolvimento Humano e Organizacional, o DHO, onde aprofundou sua experiência com o desenvolvimento de lideranças.
Mais tarde, recebeu uma proposta profissional melhor do Mercado Livre e assumiu a liderança de uma equipe de 17 pessoas. Cursava faculdade e tinha uma trajetória profissional bem encaminhada. Ainda assim, seus planos incluíam construir o próprio negócio, ampliar suas possibilidades de renda e viajar sem depender exclusivamente das férias.
“A Amazon me ensinou a liderar, gerir uma equipe e me comunicar melhor. Minha carreira estava avançando, mas eu sempre quis ter meu próprio negócio, ter mais liberdade sobre meu tempo e poder viajar pelo mundo enquanto trabalhava”, afirma.
O desejo de empreender é compartilhado por uma parcela crescente dos brasileiros. Segundo a pesquisa GEM (Global Entrepreneurship Monitor) 2025, realizada no país pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), ter o próprio negócio passou de 34% para 40% das menções e se tornou o segundo maior sonho da população adulta, atrás apenas da casa própria.
Quando a carreira decolou, ele decidiu sair
Durante aquele período, Pedro começou a estudar marketing digital, copywriting e funis de vendas. A possibilidade de comercializar produtos pela internet despertou seu interesse por um modelo de negócio que pudesse operar à distância.
Em julho de 2022, pediu demissão do Mercado Livre para se dedicar aos próprios projetos. Naquele mesmo dia, escreveu uma carta para si mesmo, dirigida ao seu “eu do futuro”. Registrou objetivos, viagens e conquistas que desejava realizar.
A carta traduzia a vida que queria construir. A decisão de sair do emprego, porém, não significava que o caminho até ela estivesse resolvido. Sem a renda mensal do trabalho formal, Pedro passou a depender dos resultados de uma operação digital que ainda estava tentando fazer funcionar.
Quando as vendas ainda não sustentavam o sonho
Os primeiros projetos não trouxeram o retorno esperado. Enquanto estudava, estruturava ofertas e tentava vender, seus recursos foram se esgotando. A distância entre a vida que havia descrito na carta e a situação daquele momento parecia aumentar.
Pedro tinha deixado uma carreira em crescimento. Agora, precisava encontrar uma maneira de transformar o conhecimento que vinha adquirindo em uma operação capaz de se sustentar.
Foi nessa fase que tomou uma das decisões mais difíceis de sua trajetória: recorreu a um agiota e pegou R$ 5 mil emprestados para investir no projeto. O empréstimo aumentou a pressão para conseguir resultados. Com um notebook antigo, passou a dedicar longas jornadas à construção de ofertas, anúncios e processos de venda. A estratégia seguinte começaria a mudar aquele cenário.
O primeiro fim de semana de R$ 20 mil
Pedro estruturou um funil de vendas pelo WhatsApp, com anúncios e uma sequência de atendimento para conduzir interessados até a compra. Segundo seu relato, a operação gerou R$ 20 mil em vendas em um único fim de semana.
O resultado trouxe alívio e, principalmente, uma indicação de que a estratégia poderia funcionar. Nos dias seguintes, ajustou a operação, ampliou o investimento e alcançou novos resultados, incluindo R$ 40 mil em vendas.
O canal segue central no comportamento de compra do brasileiro. De acordo com a pesquisa WhatsApp no Brasil 2026, do Opinion Box, feita com mil pessoas entre junho e julho deste ano, sete em cada dez usuários já compraram produtos ou contrataram serviços pelo aplicativo, e 77% costumam conversar com empresas por ele.
Mais do que os valores, aquela fase ensinou a Pedro a observar a relação entre público, oferta, comunicação e aquisição de clientes. Com o avanço dos negócios, mudou-se para Balneário Camboriú e passou a frequentar grupos de jovens empreendedores do mercado digital. As conversas ampliaram suas referências sobre lançamentos, gestão e crescimento.
Os sonhos começaram a sair do papel
Entre os objetivos registrados na carta estava a compra de uma Range Rover Evoque. Pedro lembrava de uma ocasião em que, a caminho do trabalho, dirigia seu Gol preto e viu uma Evoque na rua. O carro se tornou um símbolo pessoal de uma realidade que desejava alcançar. Outro objetivo era viajar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Conforme aprendia a conduzir lançamentos e ampliar suas operações, os resultados cresceram. Um dos projetos chegou, segundo ele, a R$ 400 mil em vendas ao longo de sete dias.
Aos 21 anos, comprou a Evoque e passou a viver em um apartamento de padrão mais elevado em Balneário Camboriú. Também montou uma equipe e aumentou a estrutura dos negócios. As conquistas vieram acompanhadas de custos maiores e da expectativa de repetir ou superar os resultados anteriores. Essa expectativa seria colocada à prova.
Crescer também aumentou o custo de errar
Uma operação posterior teve desempenho abaixo do esperado. A equipe havia crescido, assim como os custos e os compromissos financeiros. O faturamento não acompanhou o que Pedro projetava, e ele precisou reduzir a estrutura.
Depois de pagar a equipe, encerrou aquela formação e, com o passar do tempo, vendeu a Evoque. A experiência trouxe uma mudança de perspectiva: um lançamento bem-sucedido não assegurava o desempenho do seguinte. Para continuar crescendo, precisava olhar com mais atenção para custos, caixa e continuidade da operação.
As conquistas materiais tinham sido importantes. Sustentá-las exigia uma estrutura empresarial que acompanhasse a ambição.
Uma semana depois da crise, veio a virada
Uma semana depois da crise, Pedro já havia acertado uma nova operação. O projeto gerou R$ 100 mil em vendas ao longo de sete dias e marcou o início da reconstrução dos seus negócios.
Com o avanço dos resultados, alugou um escritório no Sky Business Center, em Balneário Camboriú, e reuniu profissionais de copywriting, tráfego e branding. A operação ganhou corpo. Ele passou a conduzir lançamentos e escalar negócios com infoprodutos, cursos online e mentorias.
Ao mesmo tempo, começou a pensar no que poderia construir além de uma sequência de vendas: produtos utilizados continuamente, receitas recorrentes e empresas que desenvolvessem valor ao longo dos anos. Uma viagem daria direção a essa busca.
Dubai ampliou as referências
Em 2024, aos 22 anos, Pedro foi a Dubai pela terceira vez, com um grupo de jovens empreendedores do mercado digital. A viagem incluiu passeios e experiências pela cidade, mas uma conversa se tornou especialmente importante para seus próximos passos.
Ele conheceu um empresário que atuava com aplicativos e jogos. Segundo Pedro, aquele empreendedor estava por trás de aplicativos milionários, embora os usuários não associassem os produtos à sua imagem.
Os aplicativos tinham marcas próprias. A aquisição de clientes não dependia de o fundador ser o rosto do negócio. A conversa aproximou Pedro de uma combinação que passou a orientar sua estratégia: usar a experiência em marketing e vendas para construir produtos com receita recorrente e participação societária.
Os infoprodutos continuariam fazendo parte de sua atuação. Os aplicativos acrescentavam outra possibilidade de aplicar o conhecimento que havia desenvolvido.
O escritório deu lugar a uma operação remota
Após a viagem, Pedro encerrou o escritório físico em Balneário Camboriú e avançou com uma estrutura remota. Passou a viajar enquanto administrava os negócios e trabalhava com uma equipe responsável pelo desenvolvimento tecnológico dos produtos.
Ao longo de sua trajetória, visitou 24 países. Em uma das etapas, permaneceu aproximadamente um ano fora do Brasil, atravessando diferentes países e continentes.
A mobilidade exigia organização. Em alguns destinos, havia até 12 horas de diferença em relação ao Brasil. Precisava adaptar reuniões, acompanhar projetos e tomar decisões mesmo estando distante da equipe. Durante esse período, ampliou sua atuação com aplicativos em mercados internacionais, incluindo produtos que alcançaram milhões de downloads.
O mercado de aplicativos segue em expansão. Segundo o relatório State of Mobile 2026, da Sensor Tower, os gastos globais com compras dentro de aplicativos chegaram a US$ 167 bilhões em 2025, alta de 10% em relação ao ano anterior. Pela primeira vez, a receita dos aplicativos que não são jogos superou a dos games.
Seu papel estava ligado à estratégia: avaliar oportunidades, estruturar ofertas e desenvolver formas de alcançar clientes, em conjunto com os profissionais responsáveis pela tecnologia.
As viagens também acrescentaram referências sobre hábitos de consumo, comunicação e modelos de negócio.
Da experiência com aplicativos à Tektone
O contato com empresários de diferentes setores abriu uma nova frente de atuação. Pedro passou a ouvir problemas de empresas que já tinham clientes e experiência em seus mercados, mas encontravam dificuldades para organizar processos, integrar ferramentas ou crescer sem aumentar a sobrecarga da equipe.
Essa percepção contribuiu para a criação da Tektone, em janeiro de 2026. A empresa atua como consultoria de tecnologia e negócios sob medida. O trabalho envolve diagnosticar gargalos, desenhar soluções, desenvolver a tecnologia necessária e estruturar a estratégia comercial.
Em projetos selecionados, uma solução construída para atender à necessidade de uma empresa também pode apresentar potencial para se tornar um produto digital comercializável.
A solução do problema virou uma nova fonte de receita
Uma conversa com um empresário do setor contábil, em Minas Gerais, exemplifica essa abordagem. O contato começou pelo Instagram. Durante o diagnóstico, Pedro ouviu as dificuldades de uma operação que tinha capacidade comercial, mas enfrentava limitações para crescer.
A solução desenvolvida incluiu agentes de inteligência artificial, organização do relacionamento com clientes por meio de CRM e melhorias no posicionamento digital.
O projeto também abriu uma nova frente de negócio. Parte da solução foi estruturada como um SaaS, software oferecido como serviço, e passou a ser comercializada para outros escritórios de contabilidade.
A tecnologia que resolveu um problema interno tornou-se também uma nova fonte de receita para a empresa. Esse tipo de resultado ainda é raro no mercado. Segundo a pesquisa Panorama Liderança 2026, da Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil) em parceria com a Humanizadas, feita com 629 executivos, apenas 3% afirmam que a inteligência artificial já gerou novas receitas e vantagem competitiva, enquanto 84% ainda usam a tecnologia de forma pontual.
O empresário conhecia aquela dificuldade porque a enfrentava na própria operação. Ao resolvê-la, passou a oferecer a solução por assinatura a outros profissionais do seu nicho, criando uma nova fonte de receita recorrente para o ecossistema do negócio.
Essa experiência traduz a proposta da Tektone: conhecer o negócio, resolver seus gargalos e identificar oportunidades de transformar as soluções construídas em ativos digitais.
Ambição com direção
Aos 24 anos, Pedro Silvestrini reúne experiências que começaram em trabalhos manuais, passaram pela liderança em multinacionais e avançaram para negócios digitais com atuação internacional.
Segundo ele, sua trajetória com infoprodutos e aplicativos soma R$ 14 milhões em faturamento acumulado. Hoje, como fundador e CEO da Tektone, aplica essa experiência à construção de soluções para empresas e ao desenvolvimento de novas oportunidades de negócio.
A carta escrita no dia da demissão registrava o futuro que desejava viver. As decisões seguintes incluíram conquistas, dificuldades e mudanças de rota. Sua próxima fase está ligada a uma pergunta que ganhou força em Dubai: como transformar o conhecimento adquirido em vendas em empresas com continuidade e valor ao longo dos anos?
Pedro compartilha os bastidores dessa construção e sua visão sobre negócios digitais, aplicativos e empreendedorismo no Instagram, pelo perfil @pedrosilvestrinii.
