A nova era da coloproctologia traz tecnologia, acolhimento e menos medo

Com tratamentos menos invasivos, acolhimento e informação, coloproctologistas buscam quebrar preconceitos e estimular pacientes a procurarem ajuda sem vergonha.

Falar sobre a saúde da região anal ainda é um dos maiores tabus da medicina. Por vergonha, constrangimento ou medo, muitas pessoas convivem durante anos com sintomas que poderiam ser tratados de forma rápida e eficaz. O resultado é que doenças simples acabam evoluindo, comprometendo a qualidade de vida e, em alguns casos, atrasando o diagnóstico de condições mais graves.

As coloproctologistas Dra. Belisa Müller e Dra. Luíze Bettanzo, de Porto Alegre (RS), fazem parte de uma nova geração de especialistas que busca transformar essa realidade. Para elas, abordar a saúde anal de maneira leve, acessível e sem preconceitos é uma estratégia importante de prevenção e educação em saúde.

“Grande parte dos pacientes demora para procurar ajuda, porque acredita que o problema vai passar sozinho ou sente vergonha de conversar sobre os sintomas. Esse atraso pode significar mais sofrimento e tratamentos mais complexos no futuro”, explicam.

Segundo as médicas, sintomas como dor, sangramento, coceira, secreção, dificuldade para evacuar ou alterações persistentes do funcionamento intestinal nunca devem ser considerados normais. Embora muitas dessas manifestações estejam relacionadas a doenças benignas, como hemorroidas ou fissuras anais, também podem indicar outras condições que exigem avaliação especializada.

Outro ponto destacado pelas especialistas é que a imagem da coloproctologia como uma especialidade associada a procedimentos dolorosos já não corresponde à realidade. A evolução tecnológica permitiu que diversos tratamentos fossem substituídos por técnicas minimamente invasivas, proporcionando maior conforto ao paciente, menos dor no pós-operatório e recuperação mais rápida.

“O medo que muitas pessoas ainda têm da proctologia foi construído há muitos anos. Hoje contamos com recursos modernos, incluindo tratamentos a laser em situações específicas, que tornam a experiência muito mais tranquila do que a maioria imagina”, ressaltam.

Foi justamente com essa proposta de oferecer um atendimento mais acolhedor e humanizado que nasceu a ProctoDUO. A clínica foi idealizada para reunir tecnologia, atendimento individualizado e acompanhamento contínuo, desde a primeira consulta até a recuperação do paciente.

De acordo com as especialistas, cada pessoa apresenta características e necessidades diferentes. Por isso, o tratamento começa sempre com uma avaliação criteriosa, permitindo definir a conduta mais adequada para cada caso. O acompanhamento próximo durante todas as etapas do processo é considerado um dos principais diferenciais da abordagem.

Além da atuação clínica, Dra. Belisa Müller e Dra. Luíze Bettanzo também têm investido fortemente na educação em saúde. Nas redes sociais, em que já reúnem uma comunidade com mais de 50 mil seguidores, compartilham informações sobre doenças colorretais, prevenção, hábitos saudáveis e qualidade de vida utilizando uma linguagem leve, didática e, quando apropriado, bem-humorada.

A iniciativa tem contribuído para reduzir o preconceito em torno do tema e incentivar milhares de pessoas a procurarem atendimento especializado antes que pequenos problemas se transformem em doenças mais complexas.

Para as médicas, normalizar a conversa sobre a saúde da região anal é uma forma de salvar vidas. “Quando a informação chega de maneira clara e sem julgamentos, o paciente perde o medo, procura ajuda mais cedo e aumenta significativamente as chances de um tratamento simples, eficaz e com melhores resultados”. A mensagem das especialistas é direta: cuidar da saúde intestinal e da região anal deve fazer parte da rotina de prevenção, assim como acontece com qualquer outra parte do corpo. Romper o silêncio ainda é uma das ferramentas mais importantes para garantir diagnóstico precoce, tratamento adequado e mais qualidade de vida.

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