Em um momento em que empresas tentam entender por que desempenho e bem-estar deixaram de caminhar juntos, o comportamento humano voltou ao centro das decisões de negócio. O tema ganhou peso nos conselhos, nas áreas de gestão de pessoas e no mercado de formação executiva. Não por acaso. Segundo a Gallup, o engajamento global no trabalho recuou para 21% em 2024, sinal de que organizações seguem com dificuldade para criar ambientes capazes de sustentar produtividade, vínculo e confiança.
É nesse contexto que a trajetória de José Roberto Marques passa a ser relida. Conhecido nacionalmente pela atuação no coaching, ele tenta ampliar esse enquadramento e se apresentar menos como uma figura de treinamento motivacional e mais como pesquisador do comportamento humano. A mudança não é apenas semântica. Ela responde a uma transformação do próprio mercado, que passou a cobrar menos promessa de impacto pessoal e mais consistência metodológica, aplicação prática e linguagem próxima da ciência do comportamento. A própria International Coaching Federation estima que a profissão gerou US$5,34 bilhões em receita global no último ano, sinal de um setor que cresceu e, justamente por isso, passou a enfrentar uma cobrança maior por maturidade e credibilidade.
Fundado em 2007, o Instituto Brasileiro de Coaching se tornou a principal plataforma de projeção dessa trajetória. Segundo materiais institucionais, o grupo afirma ter alcançado mais de 5,5 milhões de pessoas ao longo de sua história. Mais do que o número em si, o dado ajuda a explicar a tese central que sustenta o reposicionamento de Marques: a de que sua autoridade não estaria baseada apenas em formulação teórica, mas em uma massa acumulada de observação prática sobre comportamento, liderança, tomada de decisão e mudança individual.
Essa narrativa encontra eco em uma demanda real do mercado. Durante muito tempo, o setor de desenvolvimento humano cresceu apoiado em carisma, palco e fórmulas de transformação pessoal. Agora, a régua mudou. A nova disputa passa por quem consegue traduzir experiência em método, método em linguagem objetiva e linguagem objetiva em aplicação concreta para empresas e indivíduos. Nesse cenário, o esforço de Marques é converter uma trajetória construída na prática em algo mais próximo de pesquisa aplicada, ainda que fora dos formatos acadêmicos tradicionais.
Ao longo desse percurso, ele consolidou uma produção editorial extensa e desenvolveu conceitos próprios, como Self Coaching, Psicologia Marquesiana e Valuation Humano, como forma de organizar sua leitura sobre mente, emoção, desempenho e comportamento. Na prática, a aposta é transformar repertório acumulado em uma assinatura intelectual reconhecível, capaz de sustentar a imagem de “cientista da mente” em um mercado que, por muitos anos, banalizou esse tipo de ambição.
A leitura que emerge daí é menos a de um personagem que abandonou o coaching e mais a de alguém que tenta sofisticar a forma como sua trajetória é percebida. Em vez de falar apenas com o público que busca transformação pessoal, José procura dialogar também com empresas, líderes e profissionais interessados em compreender como crenças, ambiente emocional, disciplina e visão de futuro interferem nos resultados.
“Minha formação como pesquisador do comportamento não veio de um único laboratório. Veio de milhões de interações reais com pessoas em busca de transformação. Cada formação, cada imersão, cada livro é um ponto de dado”, afirma José Roberto Marques, no material-base da pauta.
É justamente aí que sua história encontra aderência ao debate atual. Em um ambiente corporativo em que engajamento baixo, exaustão e perda de sentido se tornaram problemas econômicos, personagens capazes de traduzir comportamento humano para a lógica da gestão passaram a ocupar mais espaço. O que diferencia trajetórias duradouras das narrativas passageiras, porém, é a capacidade de sustentar essa autoridade sem depender apenas de marketing pessoal.
Mais do que uma mudança de discurso, o movimento de José Roberto Marques revela uma disputa por enquadramento em um mercado que ficou mais exigente. A questão já não é apenas ter alcance, público ou influência, mas demonstrar que a experiência acumulada pode ser sistematizada como método e lida com seriedade em um ambiente que cobra precisão conceitual, coerência e aplicabilidade. Para uma trajetória construída entre formação, mercado e produção de conteúdo, é essa transição, da popularidade para a consistência, que tende a definir seu lugar no debate contemporâneo sobre comportamento humano.

